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Cicatrizes

Ligar o que se rompeu

A palavra. A narrativa. Ver, ouvir, sentir e depois entender.
O caminho experimentado no processo de criação desta obra teatral reafirmava a cada dia a necessidade do simples e da potência do ser humano na sua mais verdadeira fragilidade. Na sala de ensaio “um poeta” provocava… ”As Veias Abertas”… A água dissolvia pigmentos e coloria “Cicatrizes”... Uma sala de espera… Uma inspiração: Kintsugi ou Kintsukuroi: antiga arte de reparação de peças de cerâmica e porcelana que consiste em colar as partes quebradas com uma mistura de laca e pó de ouro, enaltecendo e valorizando a área danificada. As peças que passam pelo delicado processo se convertem em verdadeiras obras de arte. É que cada pedaço junta aos objetos reparados uma complexidade de formas tão grande e estas formas passam a ser delineadas por este metal nobre, usado como símbolo de pureza, valor, realeza e ostentação, o que torna possível peças destruídas passarem a ser mais valiosas do que as peças íntegras. A força do princípio em que se baseia esta técnica fez com que alguns colecionadores japoneses chegassem a quebrar caríssimas peças de porcelana apenas para tê-las restauradas com ouro. Ligar o que se rompeu! O objeto fica inteiro de novo com as “feridas” agregadas de valor e expostas, dizendo mais ou menos assim: “eu quebrei, me quebraram, a vida me quebrou mas juntando os cacos tem muita beleza nisso tudo.” Uma celebração à vida, restaurando a história do objeto e a transformando-o numa peça única. Dizem que esta técnica começou a ser utilizada no final do século XV, no Japão Feudal se relacionando com a filosofia de “não-mente” (mushin). Mushin trata-se de um estado mental completamente livre de pensamentos de raiva, medo ou ego. O resultado é que as peças de cerâmica e porcelana não são apenas reparadas mas tornam-se ainda mais fortes! É assim mesmo que me sinto: reparada! Forte! E gratificada! Com este encontro transformador com toda a equipe. Oxalá vamos caminhando sempre juntos! Soprando Bons Ventos para o querido Teatro D’Aldeia!

Letícia Regina, Cenógrafa e Aderecista

 

Ficha Técnica

Duração: 55 minutos
Faixa Etária: 12 a 16 anos
Ficha Técnica:
Elenco: Adriana Barja, Ana Cristina Freitas, Vander Palma e Wallace Puosso
 
Dramaturgia: Wallace Puosso / Orientação em Dramaturgia: Adélia Nicolete / Direção Musical e Ambientação Sonora: Beto Quadros / Anatomia das Emoções: José Ferraz  / Cenário: Letícia Regina / Figurinos: Ivani Melo / Iluminação: Feu Andrade  / Operação de Som e Luz: Jonas Paula / Fotos: Paul Constantinides e Renato David / Filmagem: Guilherme Augusto / Comunicação Visual: Wallace Puosso / Assessoria de Imprensa: Avelino Israel e João Pedro Teles / Direção: Atul Trivedi

Próximas Apresentações

Quatro amigos se reencontram depois de 30 anos. A partir das memórias pessoais de cada um deles, o tempo presente se torna passado e o que parece inventado, se torna real. Rememorar o que cada um passou até chegar ali é assumir marcas, cicatrizes, compromissos com uma trajetória, um destino em comum. Inspirado no livro “A Pedra Arde”, de Eduardo Galeano e em memórias pessoais dos integrantes do grupo.

Duração: 55 minutos
Faixa Etária: 12 a 16 anos
Local: Teatro D'Aldeia